Olá Amigos e Companheiros de Viagem!
Cá estou eu para mais uma viagem. Já vos aconteceu sairem de vocês e irem alto e mais além?
Viajar por aqui e por ali e acolá...
Voar pelo ar, pela, terra e pelo mar, vales e montanhas, por aquele olhar que nos prendeu, ou o momento que se eternizou, pelo inconcebível e inimaginado...
O
Cravo e a Papoila é um desses voos..
De mim para vós com carinho!!!
Fly

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(...)
Pi era filha do Campo e da Natureza. Amava as searas e planícies e perdia-se a contemplar o pôr-do-sol. Tinha como amiga secreta a lua, a quem confidenciava os seus desejos e fantasias. As estrelas, iluminavam-lhe o caminho sempre que se aventurava a viajar noite dentro. Era uma linda e jovem Papoila, na flor da sua maturidade. A sua tez rubra e os sinais de nascença contrastavam com a elegância do seu esbelto corpo de verde vestido.
Como outra Papoila qualquer, vivia em ambiente rural mas perto de uma zona residencial. A separar as duas áreas existia um roseiral magnífico engalanado por rosas multicolor que alegravam e perfumavam de sobremaneira toda a zona circundante.
O Roseiral, era também o local de eleição para os apaixonados, por ser recôndito e extremamente romântico.
Pi adorava viajar e o gosto pelo desconhecido era uma das suas grandes paixões! Era uma Papoila muito extrovertida que adorava fazer novas amizades e perder-se em conversas pelos caminhos com os seus amigos.
Uma dessas amizades era Rosinha, uma rosa vermelha lindíssima que vivia no Roseiral. Nessa tarde, no encontro habitual, Pi achou a sua amiga apreensiva.
- Que se passa, Rosinha? Nem pareces tu, amiga…
- Estou assustada. Uma praga infestou uma zona do Roseiral e andamos todos com muito medo.
- Tem calma, tudo se vai resolver! Mudando de assunto: sabes que tenho uma certa curiosidade para saber o que existe para lá do Roseiral. Como é Rosinha?
- Olha Pi, deste lado do Roseiral, existe uma urbanização de casas térreas. São todas iguais, mas há uma que se destaca pelo belíssimo jardim que tem. É fantástico. Cheio de flores de mil odores que inebriam qualquer um.
- Estás a deixar-me curiosa… Conheces alguém desse jardim?
- Conheço pois. O C.R. Um cravo vermelho fantástico, um sonhador por natureza. Um tipo às direitas, um cavalheiro sem igual! Eu conheci-o por mero acaso. Imagina Tu que ele adora escrever. E escreve extraordinariamente!
- A sério? Que curioso… Sabes que eu também gosto de escrever…
- Por isso mesmo! Lembras-te daquele Concurso de Poesia que a Associação organizou?
- Claro que lembro! Não participei por vergonha… Mas o poema vencedor é inesquecível: “Rosas vermelhas”
- Precisamente… Sabes quem o escreveu? O C.R.!
- A sério?! Estou estupefacta… gostava de o conhecer! Quem escreve daquela forma tem que ser um Tributo à sensibilidade e ternura. Tu e ele…?
- Achas?! Claro que não. O C.R. é um sonhador! Alguém por quem nutro uma admiração e carinho imensos, mas apenas isso Pi.
A conversa estava por demais animada e as duas nem repararam no adiantado da hora. Foi o pôr-do-sol que lhes chamou a atenção e olharam uma para a outra e disseram em simultâneo:
- Já é tão tarde!
Pi voltou para a sua planície engalanada pelo dourado fogo que se punha no horizonte mas não conseguia tirar o “rosas vermelhas” da cabeça. Era de facto um poema lindíssimo que quase sabia de cor.
Quando à noite se deitou sonhou ser a Musa que inspirara C.R. naquele fantástico poema. E sonhou! Sonhou ser Princesa, Rainha, Musa e Deusa…
Como viajava esta jovem Papoila!
Quando acordou balançava no arco-íris e quando deu conta disse para si mesma:
- Que sonho fantástico! Pudesse eu…
Foi interrompida no seu pensamento pelo barulho que se ouvia ao longe.
Levantou-se, sorriu ao sol e cumprimentou-o e percebeu que algo de muito grave se passava no Roseiral pelo aglomerado de gente que ali se encontrava… Correu até lá e deparou-se com uma imagem desoladora. O Roseiral havia sido dizimado pela praga. No seu lugar havia apenas as recordações de momentos ali passados dos segredos partilhados. Centenas de rosas estavam caídas, murchas… sem vida! E as que sobreviveram tinham sido transplantadas para uma estufa qualquer para tratamento.
Pi procurou Rosinha. Tentou irromper pela multidão mas foi em vão… A zona estava a ser evacuada e isolada para desinfestação.
- Rosinha! Onde estás, amiga?
Uma tristeza imensa invadiu Pi. A ideia de que podia ter perdido a sua amiga aterrorizou-a. Procurou-a por entre as rosas tombadas mas centenas delas já haviam sido levadas para serem queimadas…
Sentou-se e chorou. Chorou tempos a fio sem dar conta que todos se tinham ido embora. Passaram horas e horas… Uma eternidade sem que a jovem Papoila conseguisse parar de chorar.
- Boa tarde. Posso ajudá-la?
- Tenho estado a observá-la e já não aguento vê-la chorar desta maneira. Que posso fazer para que pare de chorar?
Pi enxugou as lágrimas e levantou a cabeça. Apesar da tristeza que lhe vestia a alma era impossível não reparar que diante de si estava um cravo vermelho muito belo e vistoso. E que charme… Será que é..? Seu pensamento foi interrompido, como que se tivesse sido lido.
- Permita que me apresente. O meu nome é Cravo Rubro, mas todos me conhecem por C.R..
Pi sentiu-se a corar… E disse sem conseguir disfarçar:
- C.R…? O C.R. poeta??? Amigo da Rosinha?
- Sim… Eu gosto de escrever, muito! Mas daí a ser poeta… Mas sou de facto amigo da Rosinha. Conhece-la?
- Conheço. E estou desesperada. Cheguei aqui de manhã e vi o Roseiral assim, ou melhor, o que restava dele e não sei da Rosinha… e …
Pi não se conteve. Começou a chorar compulsivamente. C.R. ainda tentou acalmá-la mas foi em vão e fruto da emoção e da fraqueza, desfaleceu. C.R. foi rápido o suficiente e tomou-a nos braços.
Pegou nela ao colo levou-a para um banco de jardim próximo. Também C.R. não ficou indiferente a tanta beleza…Impossível!
Pi era de facto muito bela, elegante e brilhante. O seu porte altivo contrastava com a sua fragilidade tão feminina quanto terna…
- Que Papoila mais linda!!! Pensou C.R., sem se dar conta do que estava a nascer…
Enquanto isso, na planície, a mãe Natureza olhava o sol e estranhava a demora de Pi.
A sua sensibilidade de Mãe dizia-lhe que algo não estava bem e disse para o seu marido, o Campo:
- Estou preocupada. Já é tão tarde e a Pi ainda não voltou.
- Para onde foi ela?
- Saiu de manhã esbaforida e correu em direcção ao Roseiral.
- Fica tranquila. Eu vou dar uma volta para ver se a vejo.
E assim fez. Dirigia-se para o Roseiral, quando encontrou as Giestas muito animado.
- Como está, Sr. Campo?
- Estou bem e vocês, raparigas?
- Vamos passear. Já está menos calor e assim já sabe bem uma voltinha ao entardecer. Vamos ver o pôr-do-sol ao Roseiral.
- Ides para o lado do Roseiral?
- Sim, vamos. Precisa de algum a coisa?
- É a Pi. Saiu de manhã a correr por causa do que aconteceu e ainda não voltou. Estamos a ficar preocupados.
- Fique descansado. Nós vamos à procura dela e mandamos notícias pela brisa que se anuncia.
- Muito obrigado.
As Giestas, a Serena, a Paz e a Tété eram três irmãs a quem a vida já tinha pregado muitas partidas. O casal Giesta tinha perecido num vendaval e todos na Planície acolheram com muito carinho e mimo as três jovens que pela sua beleza, formosura e educação irrepreensível, muita alegria davam à planície. A mãe Natureza desdobrava-se em mil cuidados para que nada faltasse às pequenas e estas carinhosamente chamavam-lhe de Mamy.
No Roseiral, Pi acordou e viu-se nos braços de C.R. O olhar que cruzaram multiplicou-se em emoções mil e o silêncio reinou por momentos eternizados sob o fogo que se punha mesmo ali ao lado…
- Que aconteceu?
- Só lhe respondo se me disser o seu nome.
- Desculpe-me… Que cabeça a minha. Eu sou a Pi.
- A Pi desmaiou… Estávamos a falar da Rosinha e eu só tive tempo de a agarrar
Os seus rostos estavam demasiado próximos e Pi deliciou-se com o toque cuidado mas viril de C.R., assim como com o perfume que de si exalava. Por seu lado C.R. não conseguia afastar-se daquele momento de contemplação: o cetim das pétalas, a elegância do porte e havia mais qualquer coisa que o prendia, só percebeu quando Pi abriu um sorriso resplandecente e lhe disse:
- Obrigada por me ter ajudado, se o C.R. não estivesse aqui, tinha-me estatelado no chão.
C.R. não respondeu, ficou atónito com a profundidade, magnitude e expressividade daquele sorriso. E foi Pi que o interrompeu naquele deslumbre da alma.
- C.R., está tudo bem? Disse algo que não devia? É que eu tenho de ir…De certeza que já estão todos preocupados na Planície.
- C.R. ?
- D… Desculpe, estava mergulhado numa visão fantástica. Quer que a acompanhe?
- Não é preciso C.R.. .
Pi deu-lhe um beijo na face e saiu num passo apressado em direcção à Planície.
C.R. ficou a olhá-la e pensou para consigo: “que sorriso!!!!”
Pi cruzou-se no caminho com as Giestas e Serena perguntou-lhe:
- Estás bem, Pi? Pareces um pouco murchinha. Os teus pais estão preocupados contigo.
- Senti-me mal ali no Roseiral, mas já passou. Eu vou já para casa. Obrigada Serena!
E seguiram o seu caminho em direcções opostas, as Giestas de encontro ao fogo no Horizonte, Pi com o fogo na alma e no coração.
Depois de chegar a casa, de falar com os pais e alimentar-se, deitou-se.
Estava exausta. O dia tinha sido de muitas e fortes emoções. Rosinha continuava na sua cabeça assim como C.R.. Uma lágrima caiu e um sorriso soltou-se.
Adormeceu rendida ao cansaço e à tristeza do dia, mas aconchegada pela imagem daquele cravo que não lhe saia da cabeça.
As estrelas juntaram-se e resolveram fazer uma surpresa a Pi. Desceu a Estrela Polar, até ao seu leito, tocou-lhe ao de leve no rosto e segredou-lhe ao ouvido:
- Anda Pi! Abriram-se as portas do Sonho para Ti.
Pi quis responder mas não conseguiu. Limitou-se a obedecer à sua amiga Estrela e viajou pelo mundo do Sonho, nas asas da Fantasia.
Viajou por todo o lado que lhe é impossível e foi quem nunca poderá ser.
Foi onda e foi mar, foi Sol, foi vale, montanha e luar.
Viajou pelo interior das almas, escutou o pulsar dos corações,
Conheceu de perto os Segredos, vestidos de mil emoções
Depois deixou-se embalar pela brisa que a levava de nuvem em nuvem, de estrela em estrela e acabou por adormecer no seu Sonho, encostada à Lua, que docemente a acolheu.
C.R. era muito dedicado ao próximo desdobrava-se em mil para acudir a todos e às vezes exagerava. Naquele dia, ter ajudado Pi foi algo muito próprio da sua personalidade. Mas quando chegou a casa não conseguiu dizer a Luz o que tinha acontecido.
Luz era a esposa de C.R. Era uma cravina muito bela e de postura irrepreensível. Estavam casados há muito tempo e a união de ambos era plena e feliz. Luz era muito dedicada a C.R. e a Jasmine, a filha de ambos.
Naquele dia estranhou a ausência prolongada de C.R. mas quando o viu chegar absorto nos seus pensamentos optou por não fazer perguntas.
C.R. não conseguia dormir porque aquela Papoila fantástica não lhe saía da cabeça. Falava consigo próprio e ouvia-se a dizer:
- Mas o que se está a passar comigo??? Eu não posso… De forma alguma apaixonar-me por aquela miúda. Sim porque ela é uma miúda! Não posso…! Tenho família constituída, sou feliz… Isto não faz sentido algum… Mas porque razão não me sai a Pi da cabeça?
Aquele Amor anunciado e lactente, naquele olhar que o fez desabrochar, invadiu em sintonia perfeita Pi e C.R..
Os tempos que se seguiram foram de uma intensidade tão imensurável quanto proibida.
Pi sabia, desde o início, da condição de C.R. e também sabia que na Planície onde era acarinhada por todos, ninguém aprovaria esta relação… Um cravo e uma papoila?? Jamais!!!
Ainda por cima casado… Nunca em sociedade alguma aceitariam isso e a Planície não era excepção! Pi sabia disto muito bem... Era bem formada e tinha valores muito fortes de que jamais abdicaria, porém não tinha como travar aquele “Tudo” que invadia os seus dias e que inundava de bebedeiras de ternura, carinho e paixão a sua existência. Amava C.R.. como jamais amara alguém. Entregara-se de corpo, alma e coração àquele amor dando tudo de si, sem nunca esperar o que quer que fosse e C.R. sabia e sentia isso muito bem.
Os encontros de Pi e C.R. eram na Serra da Roseira Brava que se situava a montante do Roseiral. Desdobravam-se em mil mentiras e desculpas para estarem juntos, por um momento que fosse:
“(…) Quem me dera, que por um momento que fosse, os meus beijos chegassem como brisas e te tocassem ao de leve levando com elas todos este sentimento cuja cor ainda está por inventar e descobrir. Todo este desejo que me consome, que me sufoca por Te querer tanto!!!
É um sentimento que me invade, que me possui, que toma conta de mim, que me cerca e enleia que me preenche e alenta desalentando…porque não estás…
E como eu queria que estivesses.
Aqui.
Agora.
Para me aninhar no teu colo, sentir teu afago, entregar-me ao teu abraço e envolver-te em minha ternura, inundar-te do meu amor que é só teu… por um momento que fosse!!!”
C.R. surpreendia-se a cada dia com Pi, com a sua personalidade terna e lutadora, com a sua forma de estar e de ser e de quão bela se tornava a cada dia. E muito mais que surpreender-se com Pi, C.R. surpreendia-se consigo próprio. Nunca na sua existência, tal lhe tinha acontecido e nem na sua forma de estar e de ser, nos seus valores e naquilo que veemente acreditava e defendia admitiria a situação que ele próprio estava a viver… Tinha sido “traído” pelo seu coração e não tinha, nem queria, fugir daquele Sentimento. Sabia que Pi não era uma aventura, um caso, uma qualquer para passar o tempo e dar umas voltas. Não!!!
Pi estava muito acima de tudo o que ele próprio conseguia aceitar e conceber.
Mergulhava os seus pensamentos na sua formosura e ternura, no seu sorriso único e fantástico, na beleza da sua simplicidade…
Escrevia-lhe o que o coração sente e a mão consente numa harmonia de amor e entrega sob a forma de Palavras vestidas de Sentidos e Sentimentos que aconchegavam Pi nas noites e em todos os momentos que estavam apartados um do outro. E amava Pi! Amava-a ternamente e com desejo, amava-a doce e loucamente! Como amava aquela Papoila!!!
Mas também no seu mundo, não havia “lugar” para Pi. Esse lugar há muito havia sido preenchido por Luz, sua companheira e esposa. C.R. jamais poderia permitir que algo lhe faltasse, assim como a Jasmine, sua pérola e seu maior Tesouro.
O que fazer???
Pi acreditava neste Amor. Sentia-se realizada na plenitude do seu Ser aquando dos seus encontros furtivos, mas também sabia o seu lugar.
Durante muito tempo soube lidar com a situação. Correndo o risco de ser e de se sentir leviana, Pi entregava-se e retribuía todo aquele Amor, total, embevecido, desenfreado e apaixonado. O seu coração pertencia a C.R. e nunca nada nem ninguém, mudaria isso.
Contudo, com o evoluir da relação Pi queria mais…
Por vezes sentia-se Rainha da Flora, mágica, sedutora, única mas de quando em vez e racionalmente, sabia que C.R., jamais deixaria Luz e Jasmine desamparadas e sozinhas. Doía-lhe até à alma quando pensava nisto.
Tinham falado várias vezes sobre a eventual possibilidade de o Futuro trazer a união dos dois e C.R. sempre lhe respondia:
- Não sei o dia de amanhã, Querida.
E o tempo foi passando. Foi nascendo em Pi uma tristeza que esta tentava disfarçar, mas C.R. conhecia tão bem a imensidão do seu sorriso, como a falta de brilho naquele olhar quando algo a incomodava…
Naquela tarde, o sol tinha-se ocultado por entre o cinzento das nuvens que tapavam o azul-plenitude do céu. C.R. estava visivelmente apreensivo e disse a Pi:
- Temos que conversar, Amor. Há algo que te quero dizer, mas preciso que me escutes até ao fim.
- Sim.
- A Luz não está bem. Soubemos ontem que está gravemente doente e é provável que a situação seja irreversível… Preciso de estar junto dela o máximo de tempo possível, porque não sei quanto é esse tempo e a Jasmine ainda não sabe de nada.
Os olhos de Pi marearam-se de lágrimas. Sempre soube que por este motivo ou outro qualquer, um dia eles se afastariam. Quis falar mas sentiu o emudecimento das palavras e a alma a esvaziar-se.
- Diz que me compreendes. É muito importante para mim que me compreendas. Amo-Te tanto Pi! Duma forma inexplicável, que me transcende e ultrapassa, mas a Luz precisa mesmo de mim… Não sou capaz de lhe virar as costas.
Com a voz embargada, Pi conseguiu dizer:
- Compreendo sim Amor. Mereces que tudo corra bem convosco.
E abraçaram-se num abraço intemporal. Nesta altura choravam os dois copiosamente, até que Pi lhe deu um beijo na face e foi-se embora. Vieram ao de cima os valores que sempre regeram a sua vida e sabia que aquela era a única coisa a fazer.
- Pi! Pi… Não vás!
Em vão. C.R. ficou destroçado a vê-la partir. Sabia que a última coisa que queria era magoar Pi, mas o seu silêncio gritava bem alto o quanto a tinha magoado. Nunca se perdoaria.
Nunca mais nada foi igual. C.R. mergulhou numa tristeza imensa e à noite gostava de escrever ao luar. Sabia da amizade que unia a lua e Pi e por isso o fazia.
Numa dessas noites, C.R. foi surpreendido por um clarão imenso e com os olhos pregados no céu, viu as estrelas a escreverem:
“Um Amor quando é sentido, com a magnitude, intensidade, dimensão e pureza do nosso nunca acaba! Mesmo que não seja vivido, mesmo que seja proibido…
Para onde quer que olhes,
Para onde quer que vás,
Eu estou a amar-Te C.R.!
E estou à tua espera, no Lugar onde
Existe uma quietude,
Uma paz;
Um silencio apaixonado que toca melodias de sonho e de encantar,
Que me envolve,
Que me domina, cerca e enleia;
Um silêncio chamado Amor,
Que eu grito em sorrisos-mil de contemplação
Por Te sentir aqui, no meu corpo, alma e coração!
Amo-Te!
Tua, Pi”