E O AMOR ACONTECE

Quando a noite ainda acolhia o dia na escuridão celeste
Sussurraste-me ao ouvido “ Apeteces-me”

Delicioso sussurrar
Impossível recusar

Respondi-Te no silêncio de um beijo
- Qual linguajar do Querer -
Saboreia-me o corpo é o que almejo
Degusta-me da feminilidade o prazer

Sou Fêmea e Mulher ébria
Totalmente desprovida de mim
Decanta-me esta sede de Te ter
Bebe deste Desejo sem fim

O calor do abraço que impele
O deleite dos corpos que sucede
A volúpia da pele na pele
Nós dois… E o Amor acontece

Fly
(Terra dos Sonhos, 23 de Outubro de 2011)


SAUDADE EM JEITO DE POEMA

Open in new window
 

Para quê procurar as palavras que descrevam o Sentimento se não existe no linguajar dos homens, forma de vencer a saudade?

São tão escusas as palavras, tão incontornável o Sentimento…

Sinto tanto a tua falta Mãe!
Da tua sempre presença mesmo quando não estavas
Do teu sorriso mesmo quando estavas triste
Da tua força, que me mantém firme nestes dias que se somam neste infinito da ausência de Ti

Hoje faz 8 anos que partiste mas a dor, que sinto, resume este hiato de tempo, a um conceito intemporal.

Quando fecho os olhos, ainda sinto a maciez das tuas mãos enrugadas e marcadas pela vida.
E na inexistência de movimento sigo o contorno do teu rosto e abraço-Te de alma e coração.
Amo-Te muito Mãe.

 
Sandra Nóbrega
Montijo, 26 de Setembro de 2011
 


OUTRORA MENINA E MOÇA, MAS PARA SEMPRE MULHER

 

 Hoje se fosses viva Mãe, celebraríamos o teu 79º aniversário. E muito embora tenhas partido naquele dia de Setembro anunciado, recordo-Te em cada alvorada e faço do teu legado de sorrisos, força e carácter , os pilares da minha existência.

 
 
 
 
 
 
 
 
Outrora menina e moça de cândida e pura beleza, para sempre serás a  Mulher que guia meus passos.
 
Amo-Te muito Mãe.

 

Dizem os sábios que o tempo cura tudo.

É mentira.

Se cura a desilusão e o rancor

Não cura a saudade e o Amor:

A saudade de quem parte

Não tem cura possível

E o Amor de mãe e filha tem esquecimento impossível!

Sandra Nóbrega



LEVA-ME…

Open in new window
 
Olho-me ao espelho feito do que sou e encontro os reflexos de Ti nas vagas de mar com que adormeço e acordo a cada alvorada.
Sorrio a este Mundo de Nós onde da última noite de estrelas, numa cama feita de paz, sonhos e lençois da lua, ainda soam as melodias do Querer feito volúpia e prazer e da saudade perdida na cumplicidade, sorrisos e olhares.
Ainda sinto o meu corpo enleado e serpenteado pelo teu, numa viagem que só Tu e eu conhecemos.
Leva-me…
(Lagoa de Santo André, 16 de Agosto de 2011)


ENSAIO SOBRE A PAZ PODRE

 
Sinto o cheiro fétido da paz.
Que impregna rostos e almas
Que mina corpos e mentes.
 Cheira a podre
À decomposição da moral
À putrefacção dos valores
À fetidez da ética
 Cheira a podre
À falsidade das pessoas
Vestida de sorrisos politicamente correctos
E os mais requintados numa filha da putice de palmadinhas nas costas de solicitude e disponibilidade
 Cheira a podre!
Mas a bem do bom ambiente
Mantém-se as vozes no tom orquestrado do balir
De uma educação minada de vazios
Cheira a podre
Dos que vivem agarrados aos Dr’s e dos eficientíssimos factores “C”
Respira-se a morte
Ou se preferirem à “não-vida” em que andamos mergulhados
 Chega!
Prefiro eclodir e explodir,
Desencadear uma guerra no agora, já e imediatamente
Do que engolir esta paz pestilenta
Não alinho neste rebanho deste falso saber estar
Disfarçado deste jet set 34 que me mete nojo
Fico-me pelo meu saber Ser do qual jamais abdicarei
E ide à merda com a vossa paz podre
 
 


O QUE VERDADEIRAMENTE NOS UNE

Foi ontem, mas ficará na memória para sempre.
A Escola Secundária D. Dinis juntou cerca de 200 pessoas entre alunos, professores e funcionários (antigos e actuais).
Com o carisma que sempre conheci, passou-se um dia fantástico e cheio de todas as coisas boas que nos mantém ligados ao nosso intemporal D. Dinis.
De manhã após a recepção com direito a t-shirt, tivemos jogatana de basquetebol, voleibol e depois uma aula de aeróbica.
Seguiu-se a primeira ida ao auditório para ouvirmos O Rogério Mota.
Seguiu-se um fantástico almoço (muito bem regado) e depois tivemos o Silvino Viegas Júnior a tocar acordeão e de seguida uma demonstração fabulosa de tango argentino com o Professor Eliseu Beja e respectiva Companheira.
Depois do lanche voltámos ao auditório para o visionamento de um filme que trouxe as emoções à tona num reviver de memórias e recordações.
Inesquecível!
À organização do evento, parabéns pela excelência da iniciativa.
À direcção da escola, obrigada por permitir o evento.
Aos colegas, professores, funcionários e antigos alunos que reencontrei, um abraço cheio de amizade pelo feliz reencontro.
Este texto é uma homenagem singela mas sentida, a quem, a meu ver, tudo merece.
(…)
 
O QUE VERDADEIRAMENTE NOS UNE
 

Perdemos a conta ao número de vezes que começámos, apagámos e recomeçámos este texto.

Por um lado, são as palavras vãs diante do Sentimento que nos invade, e por outro, é a Palavra escrita que perpetua a eternidade deste Sentir.

Sabemos que não estamos sós. Nem no Sentimento nem no Sentir.

Acompanham-nos nesta dualidade de emoções, cada um dos rostos aqui presentes. Cada um com sua essência, vontades e motivações mas todos com um denominador comum: A Escola Secundária D. Dinis.

Não importa o ano, ou a década em que fisicamente estivemos ligados a este local feito das estórias inolvidáveis com que cada um de nós ergueu a História desta Escola, mas sim as recordações que cada um de nós guardou no Lugar onde se guarda tudo o que é intemporal. E é assim que sentimos o nosso, D. Dinis: intemporal!

Neste Hoje feito de sorrisos, abraços e nostalgia, recordamos em cada rosto, as aulas, a união, a camaradagem e o espírito de grupo das Turmas, os núcleos desportivos, os torneios no Natal e Páscoa e os Jogos Desportivos; os Saraus de Junho, os acampamentos de Março ou Abril, mas acima de tudo recordamos a excelência, a dedicação, o empenho o carinho, a “sempre-presença” e o profissionalismo dos professores desta Casa, mas em particular, da Senhora Professora Margarida Leite e do Senhor Professor Rogério Mota (sermões incluídos)!

Sentimo-nos, na nossa humanal condição, privilegiados por cada um dos anos e por todos os Momentos passados na vossa presença.

As aprendizagens aqui adquiridas ultrapassaram em muito, os conteúdos programáticos e muniram-nos das ferramentas existenciais que nos ajudaram a Ser as Pessoas que somos hoje. E muito embora tenham passado 10, 20, 30 ou mais anos, desde que entrámos nesta escola pela primeira vez, fomos e somos felizes pelas sementes feitas do Tudo e do Todo que aqui vivemos e que lançamos no Jardim da Vida, onde a cada Dia que torna, recolhemos os frutos daquilo que verdadeiramente nos une: a Amizade!

Com este gesto singelo, agradecemos a vossa presença neste reencontro com antigos Colegas, Professores, Funcionários e Alunos e, diante de todos estes amigos grita-nos da alma um OBRIGADO aos professores Margarida Leite e Rogério Mota, por uma vida inteira de partilha e de aprendizagens marcantes e preponderantes para as nossas vidas.

BEM HAJAM!

Montijo e Lisboa, 18 de Junho de 2011



CARTA À SAUDADE

 
 
Passava pouco das 8h30 quando o telefone tocou. Do outro lado, uma voz grave, dava a notícia de que tinhas falecido e o silêncio emergiu por entre o rebuliço daquela manhã de 19 de Maio de 2003.
Nunca chegaste a saber Pai, mas nesse mesmo dia estava prevista a alta clínica da Mãe que estava muito perto de ti, no IPO. Foi por decisão da médica depois de lhe ter sido dada a notícia da tua morte que ela ficou mais uns dias.
Sei que foi importante para ti, os dias que antecederam a tua “partida”. As nossas visitas, o teu sorriso e até a conversa que tivemos quando estavas nos cuidados intensivos. Lembras-te?
Já to disse uma vez que essa conversa trouxe-me a paz a que me tenho agarrado ao longo destes 8 anos mas crê que é mentira quando dizem que o tempo cura tudo.
Não cura.
A saudade cresce a cada dia que nasce e a vontade desmedida de querer que tudo tivesse sido diferente é agora adulta e faz o que lhe apetece…
Não tivemos uma relação feliz enquanto pai e filha, aliás acho que nem uma relação tivemos. Limitámo-nos a ser pai e filha sem que a cumplicidade existisse. No entanto nada disso obsta a este sentimento que hoje partilho nesta folha em branco onde escrevo a saudade e a vontade imensa de que estivesses aqui.
Hoje, quando me soar a brisa no rosto na Caminha da vida, vou sussurrar-lhe ao ouvido, esta saudade de Ti
Até logo Pai
 
Sandra Nóbrega


SENTIR AVASSALADOR

Open in new window

É entre a ternura a que soa a palavra Mãe e a vil saudade que de mim tomou posse, que escrevo estas palavras.
Confesso que evitei a caneta e o papel todo o dia pela dor que me traz este dia, mas o Amor falou mais alto e por isso grito ao mundo a palavra “Mãe!”
Sinto tantas saudades de chamar por ti Mãezinha!
De exclamar este amor que me aconchega e neste grito de silêncio, derrubar ainda que por momentos, a saudade que se impôs.
Recordo, o último dia da Mãe que passámos juntas: 4 de Maio de 2003. Estavas internada no IPO e creio que esse foi a única vez que Te vi chorar. Queixavas-Te de dores brutais na cabeça e no ouvido. Enquanto a médica não chegava aconcheguei-Te a cabeça no meu colo e acariciei-te o rosto. Consegui que por momentos adormecesses e fiquei a contemplar-Te por entre todo o sofrimento por que passaste e a paz que por momentos Te foi permitido alcançar.
Senti, naquele dia, que dificilmente passaríamos outro dia da Mãe juntas e não me enganei. Desfrutei em plenitude momento, e guardei-o como um Tesouro. Hoje, entre as lágrimas que me vencem por completo, partilho-o nestas linhas feitas deste Sentir avassalador
.

 
Ser Mãe é um sorriso eterno que a vida me proporcionou.
Ter-Te como Mãe é a Razão pela qual continuo a acreditar e à qual me agarro a cada dia que torna.
Amo-Te muito Mãe!

Montijo, 1 de Maio de 2011



SOU FILHA DE ABRIL

 

Open in new window 

Que fizeram de ti Cravo vermelho? Que fizeste singrar pela luta do Querer a Razão de todo um Povo….
Arrancaste ao fascismo a Liberdade cativa, 48 anos, pela altivez de um regime de opressão, mascarado de disciplina e justiça.
E para quê?
Para quê o sofrimento e força de carácter dos que penaram nas mãos da pide, esses filhos de ninguém que cegavam para agradar à opressão e ao silêncio imposto;
Para quê a luta em silêncio dos que acreditaram que a Liberdade, sob todas as formas, era um Direito meu, teu, dele, nosso, vosso e deles!
E depois do adeus soou e o Povo avançou, acreditou e mudou !
E 37 anos depois como foi feita a gestão deste legado? A crise política, económica e social em que o País está chafurdado dispensa quaisquer comentários. Mas a maior crise é a dos valores. Culpa dos rebanhos que grassam pela sociedade oportunista como se ervas daninhas fossem e que cresceram convencidas que têm poder… Pior, vestimo-los de Armani, pusemos-lhes gravata, e elegemo-los para governar este País…
Portanto, fomos e somos Nós os verdadeiros culpados, as verdadeiras bestas porque na primeira todos caímos, na segunda só quem quer. A partir da terceira, é carneirada mesmo.
À direita anda tudo torto, o socialismo mostrou ser a forma mais rápida de como afundar um País. Do que é que temos medo?
Não merecemos o esforço dos que sofreram e que até pagaram com a vida, o direito de existir o TUDO a que temos acesso Hoje.
Conseguimos perverter o Sentido e o Sentir da Revolução dos Cravos, na sua essência e ideologia e isso faz renascer em mim a revolta que não vivi no 25 de Abril de 1974 mas que admiro e respeito em cada dia da minha vida não só porque sou filha de Abril, mas porque cresci rodeada dos Camaradas (os verdadeiros Camaradas) que sofreram na pele o preço da Liberdade e cuidaram do Jardim que possibilitou a Revolução dos Cravos.
A todos eles a minha gratidão eterna!
E viva o 25 de Abril!
Sempre!

Montijo, 25 de Abril de 2011

 
Fly
Dedicado à memória de
Alberto Nóbrega, o senhor meu pai, preso político
Capitão Salgueiro Maia, um dos Capitães de Abril e que tive a honra e o privilégio de conhecer;
Adriano Correia de Oliveira e Zeca Afonso, ilustres heróis da minha adolescência e ainda dedicado a Rogério Borges Pereira Mota que me mostrou que a vida é Lutar e Acreditar!
 


O SARRABECA FAZ HOJE 5 ANOS!

16-o4-2006  -  16-04-2011 - 5 anos!

Foi numa viagem a Viana do Alentejo que nasceu a ideia de ter um blog porque fomos de visita ao meu ilustre tio J.A.C que não tinha um mas sim dois blogs!

E eu pensei para mim mesma. “e porque não?”

Cheguei a casa e concebi o Sarrabeca.

Não sei se alguma vez partilhei convosco o porquê deste nome, mas advém do facto de ser o nome que o meu pai me chamava quando era pequenina.

A todos os que continuam  apassar por aqui, obrigada pela vossa presença e pelas palavras que deixam. São o verdadeiro alento e aconchego de quem escreve.

Até já!