VIAGEM
Pudesse eu transformar os espinhos em pétalas de aromas-alegria e pintar este cinzento com um "arco-íris-em-nova-versão" e poder libertar-me desta angústia e tristeza. Como é difícil tomar certas decisões... Como é importante mantermo-nos dignos perante os outros e acima de Tudo e Todos perante Nós próprios. Tudo em vão. Sou apenas humana, anónima e desconhecida. E nesta humanal condição, como diria o Poeta, condeno-me à minha realidade e existência. E assim sendo, eu. pessoa, tenho o direito de gritar ao mundo o quanto dói a solidão. Para Vós fica "Viagem"... Amigo, está em marcha o Comboio... (tinhas razão). Até logo Fly (without wings)
(...) Encontramo-nos sensivelmente à mesma hora de sempre. Aquela em que o silêncio apazigua o frenesim de mais um dia que se despede e Tu chegas. Hoje não foi excepção. Sorrimos uma à outra e decidimo-nos por uma caminhada sobre o "Calçadão da Passagem" aconchegadas pelo luar que timidamente se anuncia. Encontro-te amena e pronta para uma longa conversa. Deitada sobre o meu leito e recostada sobre a minha almofada, fito-te. Oiço então, por entre o teu silêncio, os gritos que emudecem a tua penumbra e com clareza compreendo a escuridão do que vestes. Alias-te ao meu pensamento e partimos os três rumo a um sonho a realizar, a descobrir e a desvendar. Eu, Tu, e o Pensamento em viagem ao Sonho. Sem turbulências, adormeço, com a tua permissão, e deixo o pensamento conduzir a Viagem. Já chegados, transformas-te em dia e o luar num sol radiante. As estrelas dão lugar às ondas e percebo que fomos para junto do Mar, meu fiel confidente. Estranhamente estou rodeada de um Jardim imenso, onde o jasmim perfuma e inebria os sentidos. Encontro-me serenamente sentada e envolvida pela imensidão deste azul-verde com quem converso. O céu é então rasgado por um possante cavalo alado que serenamente pára ao meu lado e gentilmente me olha como que a convidar-me a subir. Gentile é seu nome A sua gentileza é retribuída com o meu sorriso. Elevo-me de mim mesma e vejo a minha alma e coração pelos céus fora no dorso de Gentile, rumo a um-sítio-qualquer-que-desconhecia. À chegada tudo me pareceu estranho, diferente e desproporcionado mas especialmente belo e suave. Fui cumprimentada pela Alegria. De seu rosto de menina-mulher raiava um brilho ofuscante. Trajava um laranja-fogo e seu sorriso era completamente envolvente. Deu-me a mão e apresentou-me a serena Paz. Sofrida mas cândida, a Paz abraçou-me na sua brancura. disse-me "sê bem vinda" e senti uma tranquilidade imensa no timbre da sua voz. Depois piscou-me o olho o Beijo, de cor-cereja-acabada-de-colher mas com um aroma único onde a sintonia junta o mel, a menta e a canela (como Alguém já me tinha segredado)... Mais recatado, junto a um estranho mas deslumbrante Mar-lilás e em amena cavaqueira, conheci o Amor. Simples. De preto e branco trajado e de morango-doce-mel perfumado, olhou-me, pegou na minha mão beijou-me e disse-me "é lindo o teu sorriso". Senti as faces a ruborizarem e sem jeito fiquei paralisada pela sua simplicidade e ternura. Apresentou-me então às quase-gémeas Sedução e Paixão. Intensas, apaixonantes, vulcânicas, desmedidas, de ousadia-vermelho e com um olhar-ternura-desejo passaram, à vez, a sua mão pelo meu cabelo. O seu toque levou-me ao limiar-de-um-qualquer-sentimento-por-definir e ao longe ouvi Gentile: - "Está na hora de voltar". Acedi ao seu pedido, mas antes perguntei-lhe: - "Onde estou eu Gentile?" - "Estás num Lugar recôndito da tua imaginação, onde guardas o Tudo que tens para dar. Estás em Ti, minha Querida" E eu sorri.




























