Palavras aos Pedaços... que exultam o Estar e o Ser desta alma viajante
Domingo, 30 de Abril de 2006
DISTÂNCIA
“Distância não é ausência”;
Distância não é estar distante;
Distância não é saudade;
Distância não é tristeza nem angústia;
Distância é um conceito geográfico de espaço que separa fisicamente as pessoas.
Apenas isso.
A distância anula-se com um abraço;
Com a ternura;
Com o carinho;
A distância desaparece com o gesto, com a intenção;
A distância separa corpos mas não separa corações;
Não descura o Sentimento;
Não alimenta o desespero;
Não há longe nem distância, quando de facto se quer amar,
Quando os limites não limitam os Sentidos e os Sentimentos.
Desisto do Amor
Desisto da Vida e da Esperança;
Resignação é isto mesmo…
Não adiantam os sonhos,
Não adiantam as expectativas.
Fico-me por aqui.
Com a minha tristeza
Com a minha angústia
E a minha vida vai continuar, ou melhor a “sub-vida”
Cinzenta e cinzelada com um negro solidão…
Igual, dia após dia,
Momento após momento…
Desisto :-(
Invade-me esta angústia.
Assola-me este vazio, este nada
Que galopa por mim adentro e me fulmina;
Que trepa e quase me sufoca;
Que me abala da Vida e me aparta da vontade;
É um sentimento vilmente revestido de sensações que me transmutam
Até à ínfima essência do Ser e do Estar
Não quero este Sentimento, mas confesso, que neste momento, neste preciso momento,
Não me apetece lutar, não tenho forças.
Sinto-me perdida e sem rumo e não faço a mínima ideia de como buscar o meu caminho
Queria, apenas, não sentir esta tristeza.
O Comboio da Vida é imenso.
Viaja por toda a nossa Existência e as suas carruagens albergam todos aqueles que num momento ou noutro cruzam a nossa vida e integram esta Viagem. E independentemente da sua permanência no Comboio, todos têm sempre o seu lugar.
O Maquinista vive no Abrigo que é o lugar onde se controla toda a Viagem, onde se afere o ritmo e a velocidade da mesma e onde se define quais as Estações e Apeadeiros onde o Comboio tem paragem.
Incansável este Maquinista!
O início da Viagem é o Apeadeiro do Amor, sempre apinhado de gente e de muitos outros Comboios com tantas outras viagens… E é neste devir constante, neste frenesim, num momento único e especial que tudo começa e Nós somos concebidos.
E a este Apeadeiro regressamos quando também nós concebemos e damos Vida.
Seguindo a Viagem, o Comboio pára nas Estações da Alegria, da Inocência, e da Brincadeira onde passamos grande parte da nossa infância.
As carruagens têm nesta altura passageiros muitos especiais: a mamã, o papá e eventualmente os manos e manas e ainda o ursinho de peluche sem o qual não dormimos ou o aquela bonequinha especial com quem adoramos passear.
A paragem nas Estação das Emoções está logo ali ao lado. É uma Estação bonita e com muitas flores.
Sabem porquê? Reza a Lenda que nesta Estação existe um Jardim Encantado onde as pessoas se transformam em Flores de mil cores e onde nasce a Amizade e o arco-íris adormece quando não está de serviço. E a verdade, é que é aqui nesta Estação imensa e florida que entra a Primeira Amizade sob a forma de Alguém que nos é muito especial, ou onde coramos intensamente quando de uma forma perfeitamente desenfreada sentimos que a Paixão nos tocou.
Nesta altura o comboio segue a uma velocidade constante. Passa por prados verdejantes, bosques, montanhas e planícies contemplando tudo o que é belo. Ao longe avista-se o Mar que se confunde com o céu num imagem que fica retida eternamente na alma do Maquinista.
O Apeadeiro da Paixão aproxima-se. De rubro se veste e se perfuma com aromas de mel menta e canela… Quando damos por Nós… já crescemos e as carruagens vão tendo cada vez mais Passageiros. Sempre Especiais.
A Família, sempre ao dispor.
Os Amigos que simplesmente estão.
Incondicionais e disponíveis como o ar que respiramos.
Únicos, genuínos e autênticos como o cheiro da terra molhada.
O Primeiro Amor, assolapado e avassalador.
As Pessoas que se cruzaram connosco e nos marcaram, como aqueles Professores especiais que nos ajudaram a definir qual o rumo a seguir, ou o Velho Pescador com quem conversámos vezes sem conta até o sol se pôr e que nos deu Conselhos que até hoje guardamos como relíquias…
Como está composto o Comboio!!!
Nesta altura já a velocidade é irregular. E de que maneira… Tudo parece precipitar-se e tudo é vivido em cima do “joelho” de tal maneira que às vezes há mesmo avarias…e lá tem o comboio que permanecer em Estações como da Amargura, da Dor, do Sofrimento…tudo parece desabar não é?
…Uma amachucadela aqui, outra acolá… mas com o carinho e entrega do Maquinista e com o seu sorriso.mágico lá segue o Comboio a sua viagem.
Apeadeiro da Responsabilidade. É a próxima paragem. E ouve-se ao longe:
“- Srs. Passageiros, vai dar entrada na Linha número cinco, O Comboio Da Vida com destino à tomada de decisões importantes”.
E não nos escapamos. Chega mesmo a altura da responsabilidade, de tomar decisões de rumar em frente, com ou sem mágoa.
Fim do Curso e/ou início da Vida profissional.
Unificação de uma relação, com ou sem papel passado.
O primeiro filho.
Momentos que nos marcam. Que vivemos intensamente e alguns definitivamente para toda a vida
Chegam pessoas de todo o lado para celebrar connosco estes passos.
É uma confusão pegada mas a alegria e a realização “tomam conta do pedaço”!!!
O comboio está repleto… Todos os que lá estavam, mantêm-se, ou não... Mas esta Viagem que é a Vida é isso mesmo: entram uns e saem outros.
Todos deixam a sua marca. Uns mais do que outros, é certo mas o lugar na memória está adquirido.
É por esta altura, mais coisa menos coisa, que conhecemos a Estação da Morte e a da Saudade… como é difícil “estar” nestes sítios…Quase impossível de suportar acreditem!
(…)
“The Show must go on”… e muito combalido o Comboio segue então a sua viagem…
O sorriso do Maquinista perde-se por instantes e o Abrigo está fora de controlo…mas há um horário para cumprir…
Conhecemos então que também existem lugares inóspitos e sem verde… onde a tristeza cinzela de dor o espaço envolvente e onde o ar é quase rarefeito e quase nos sentimos a asfixiar por completo… Mas conseguimos seguir!
A Estação da Reflexão, antecede a da Serenidade…
E a Viagem segue… sei que um dia o Comboio da Vida, da minha Vida, voltará a várias Estações e Apeadeiros sem que consiga mudar o rumo.
Agora foi um momento na Estação da Partilha onde gosto muito de vir e estar.
Até breve!
Dá-me a tua mão.
Deixa-me sentir a maciez da tua pele e o calor do teu toque.
Olha para mim.
Deixa que os nossos olhares se fundam e permitam a entrega, perante a vastidão deste mar imenso,
fiel testemunho deste nobre Sentimento igualmente avassalador e docemente transparente…
… Anda cá …
Deixa-me sentir os teus lábios de seda, que os meus reclamam ardentemente, a cada momento e a todo o instante.
É tanto o que tenho para Te dar e é tão grande esta ilusão.
Doce ilusão, que te trouxe até mim, nesta melodia sem partitura,
Onde não encontro o principio,
Onde saboreio contigo o meio,
E onde sabemos os dois estar o fim…
… Anda cá …
Entrega-me o teu amor.
Eleva-me à capacidade de sorrir,
Este sorriso-encanto, que é só teu.
Estás tão perto, (consigo até sentir o teu respirar!) e tão longe!
Tocas-me tão profundamente e és tão intocável e inatingível…
… Anda cá …
Seca-me esta lágrima.
Diz-me que me queres,
Que é mentira esta vazia e vã realidade.
… Anda cá …
Olha comigo o nosso mar.
Aninha-me em teu colo, como sempre fazes e deixa-me adormecer nos teus braços.
Só esta noite.
Abre-me a porta do Sonho.
Só Tu tens a chave porque és o Guardião dos meus Sonhos.
Amo-te.
(…e a malta “assim” sente-se Imensa!!!)
De Rosa Tonta fui chamada
Por uma Flor do meu Jardim
Cheia de cor e encantada
Tonta, és Tu, rosa pra mim
Jardineira de Amigos, sou
Com excelência e distinção
Um Amigo me honrou
Com tamanha nomeação
Trenga e Tonta também
Me chamam no dia a dia
São palavras de Alguém
Que me dá mesmo muita alegria
Amiga e Gaija é verdade
Não escapam à nomeação
Sou eu é a pura realidade
“Óscar” ganho! Que emoção!
Simpática e com humor
Honesta e muito frontal
Com tanto carinho, é um louvor
Sinto-me tão Especial!
Soberba-Mulher me chamaram
E com orgulho escutei
Palavras que me marcaram
E dentro de mim registei
Raio de Sol brilhante
Que aquece o coração
De quem a cada instante
Me incendeia de emoção
Chamam-me Luz, Estrela e Luar
Deixam-me sem jeito enfim
Vós, Flores de Encantar
Embelezam o meu Jardim
Papoila e Rosa Branca
Por aqui eu vou ficar
Vós sois a Esperança
Que me faz rir e Sonhar
A Todos eu agradeço
Do fundo do meu coração
Sejam SEMPRE eu vos peço
Meus Amigos, minha Paixão!
Sois, Mão, Ombro e Pilar
Se o Mundo sobre mim desaba
E pode até tudo acabar
Só a AMIZADE não acaba!!!
Somos de facto minúsculos face à grandiosidade da vida e à imensidão da morte (já o disse anteriormente).
No entanto, o facto de podermos aferir, de racionalizar, torna-nos Seres Superiores na capacidade de sentir e recordar. Os bons e os maus momentos.
Fazem parte do nosso património espiritual e do nosso espólio afectivo que é único e exclusivo de cada um de Nós.
E tudo isto é possível por causa das nossas memórias.
É incrível como conseguimos reter e rever a inocência do sorriso da meninice;
A candura desajeitada do Primeiro Beijo;
A cumplicidade da primeira Amizade que fizemos e que selámos com um sorriso e um abraço…
Quem esquece
Um sorriso do sol,
Um abraço da Lua,
Uma Serenata das Estrelas.
A mão estendida do Mar,
E a ternura da brisa que nos beija ao acordar?
Ninguém nos rouba as memórias dos momentos que consideramos únicos, nossos e envolventes!
Contudo, nem sempre recordar é bom…
Muitas vezes gostávamos de conseguir esquecer e apagar a Dor que sentimos quando perdemos algo ou alguém…
A primeira desilusão de amor… (que dor, que sofrimento, quem pode esquecer????)
Ou aquela Amizade que se perdeu no tempo por uma mentira ou mal entendido que silenciou amargamente o nosso coração…
E as desilusões perpetradas por quem considerávamos Amigos? Àqueles a quem abrimos incondicionalmente o coração e que vilmente nos usaram e jogaram fora numa esquina qualquer da Vida;
A agonia na doença e a inoperância do fazer quando tudo se precipita para o abismo, para a morte… A “Partida” de quem nos é querido é tão cruel!!!
Que angústia relembrar a falta que me fazem minha Mãe e meu Pai...
Quantas vezes a dor não se veste de saudade e me faz mergulhar em lágrimas…
Que medo pensar que posso perder quem amo!!!
Memórias…
Quem me dera ter o mágico poder de relembrar apenas as que me aconchegam e fazem sorrir.
Mas tal como a Rosa, a nossa Alma não é só aroma, beleza e cor. Existem também os espinhos…
Fly
Tempo e mais tempo A todo o momento Por vezes amigo, outras mais duro Tempo passado, presente e futuro Tempo sem tempo, intemporal É tempo que existe, é tempo real
No Amor é livre, etéreo e fugaz Doce, fiel, terno companheiro Apruma-se em vestes de suave lilás E com uma sabedoria una e sagaz Torna o “Tudo”, em verdadeiro Inunda com sua cândida Paz
Já na dor e no tormento Prolonga-se pelo infinitamente E com um duro eterno “p’ra sempre” Preenche cada momento Que impede o olhar em frente Maldito sejas ó Sofrimento!!!
Quietude.
Tudo flúi a uma velocidade zero.
Estou parada, não no tempo, mas na Alma.
A tristeza, cá está. Tem lugar cativo… e a resignação também.
“Depois da Tempestade vem a Bonança”
P’ra mim vem o silêncio. Este silêncio d’alma.
Gritante.
De uma dor que sufoca e queima.
E que rouba os sorrisos;
E que trai a esperança;
E enxovalha a fé…
O olhar perdeu o brilho por entre as lágrimas que aos poucos secam.
Só mesmo o teu Raio de Sol, que enviaste em canal codificado, quebra esta quietude, esta melancolia, numa melodia em que as claves convidaram todas as cores para uma festa no Sol.
Elevam-me então de novo ao sonho, numa viagem em “Nuvem Charter” onde se bebe o azul do céu e se come o verde esperança, sob a fiança de um vermelho fogo que se enleva no horizonte.
Obrigada.
Fly
Há muito que vivo neste Deserto. O meu Deserto.
Imenso, árido, vazio…Interminável e resignado.
E resignada vivo.Há muito que aceitei as condições.
Do vazio oco de emoções, da solidão gélida dos sentidos e da secura extrema desta tristeza acutilante, onde há muito não chove Amor…
Não há oásis no meu Deserto.
Só me é permitido Sonhar apenas e quando algo ou alguém muito especial me eleva a esse patamar…
Subo às nuvens pela alfazema que Alguém deixou no meu jardim e de um pé para o outro, saltito por entre elas; brinco às escondidas com as estrelas e ofuscada pelo seu brilho, inebrio-me de alegria.
Mais à noitinha a Lua convida-me para um chá quentinho (faz frio lá em cima…) e acalento-me na sua generosidade até adormecer num dos anéis de Saturno…
De manhã acorda-me o Sol que me convida para um banho especialmente enriquecido com uma espuma de Vénus nas inigualáveis Cataratas Celestiais.
Já a meio da manhã, desço pelo Arco-íris (como se de um escorrega gigante se tratasse) e por momentos todo o meu corpo e de alma rendida, funde-se naquela magia multicolor que me deixa em estado de contemplação.
Depois…“Fly time” !!! É hora de voar sim.De rasgar os céus, de invadir as aero-vias da imaginação, de desafiar o próprio Sonho.E faço-o nas asas de uma velha amiga Gaivota com quem há muito selei um Pacto de Regozijo.
E é em pleno voo, que me cruzo Contigo. É uma visão eterna mas fugaz, de milésimos intemporais de segundo…
Chego a tocar-te, a olhar-te e até a sentir-te.
E tu beijas-me… E é o sonho sobre o Sonho. Ou não???Ai este Sonho!!!Afinal tu és uma Miragem!!! Fly