FECHADO PARA BALANÇO
Amigos e Companheiros de Viagem:
Assim encerro o ano de 2008.
Saúde e Paz para 2009 é tudo o que desejo
Um abraço
Fly
(…)
É o que me apraz dizer quando penso que mais um ano finda. Mas este não foi um ano qualquer. Foi um ano horroroso, cheio de perdas, desgostos e tristezas.
Há muito que anseio que 2008 chegue ao fim, como que se existisse em mim uma vontade inóspita de calcorrear pelos primórdios do tempo e ter o poder de riscar este ano do calendário.
Pufff!!!
E nunca tinha existido 2008…
Nem a morte do cunhado, nem a do inesquecível João Rui, nem a da tia Conceição, nem a da doce Andreia, nem a do tio Faneca, nem a da minha querida amiga Belmira, nem a do pai da Mónica, nem a do heróico Iurie e agora mais recentemente a da Sara Condelipes… Poças!
A morte pintou o meu ano de luto. Elegeu o negro como moda imposta com acessórios feitos de lágrimas e dor e pavoneou-se ao longo dos meses como se de uma verdadeira rainha se tratasse.
Pudesse eu riscar este ano da existência da vida e não teríamos assistido à pouca-vergonha que se passa em Portugal, nem aquela maluca teria posto em prática, ou pelo menos tentado, aquele absurdo obsoleto que dá pelo nome de modelo de avaliação …
Se não existisse este ano, o desemprego não teria aumentado de mãos dadas com a pobreza que emergem em cada esquina. Rostos a descoberto mas muitos no silencio de paredes vazias ou na eminência e despejo porque o dinheiro não chega e as dívidas avolumam-se mês após mês…
Este ano está a mais no calendário porque roubou o sorriso e a esperança a milhares de famílias que do nada e pela ganância desmedida dos empresários perdem os seus empregos e são jogados para o molho dos “dispensados” … E a estes o governo não pôde valer, mas não hesitou em nacionalizar um buraco negro de negro chamado BPN… e dar garantias de milhões e milhões à banca para que esta possa valer às pequenas e médias empresas e evitar o colapso da economia nacional… Balelas… O pior ainda está para vir…
Maldito 2008 que me roubou a saúde e pôs-me à prova no passado e a cada dia que torna. Sinto-me cansada, exausta sem argumentos para continuar a acreditar
Sinto-me usurpada na esperança de que um dia o respirar será outro, e que a nível pessoal surgirá uma luz ao fundo do túnel…
Não me apetece sorrir, nem fazer e muito menos estar.
Sinto-me impaciente, mas já não reclamo
Sinto-me impotente e deambulo mecanicamente como se fosse um robot para que supostamente tudo continue a funcionar.
Estou farta.
Vou escrever e pendurar do lado de fora de mim: FECHADO PARA BALANÇO.