Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

O CRAVO E A PAPOILA

Olá Amigos e Companheiros de Viagem!

Cá estou eu para mais uma viagem. Já vos aconteceu sairem de vocês e irem alto e mais além?
Viajar por aqui e por ali e acolá...
Voar pelo ar, pela, terra e pelo mar, vales e montanhas, por aquele olhar que nos prendeu, ou o momento que se eternizou, pelo inconcebível e inimaginado...

O Cravo e a Papoila é um desses voos..
De mim para vós com carinho!!!

Fly

 
Foto powered by blogspot.com


(...)


Pi era filha do Campo e da Natureza. Amava as searas e planícies e perdia-se a contemplar o pôr-do-sol. Tinha como amiga secreta a lua, a quem confidenciava os seus desejos e fantasias. As estrelas, iluminavam-lhe o caminho sempre que se aventurava a viajar noite dentro. Era uma linda e jovem Papoila, na flor da sua maturidade. A sua tez rubra e os sinais de nascença contrastavam com a elegância do seu esbelto corpo de verde vestido.

Como outra Papoila qualquer, vivia em ambiente rural mas perto de uma zona residencial. A separar as duas áreas existia um roseiral magnífico engalanado por rosas multicolor que alegravam e perfumavam de sobremaneira toda a zona circundante.

O Roseiral, era também o local de eleição para os apaixonados, por ser recôndito e extremamente romântico.

Pi adorava viajar e o gosto pelo desconhecido era uma das suas grandes paixões! Era uma Papoila muito extrovertida que adorava fazer novas amizades e perder-se em conversas pelos caminhos com os seus amigos.

Uma dessas amizades era Rosinha, uma rosa vermelha lindíssima que vivia no Roseiral. Nessa tarde, no encontro habitual, Pi achou a sua amiga apreensiva.

- Que se passa, Rosinha? Nem pareces tu, amiga…

- Estou assustada. Uma praga infestou uma zona do Roseiral e andamos todos com muito medo.

- Tem calma, tudo se vai resolver! Mudando de assunto: sabes que tenho uma certa curiosidade para saber o que existe para lá do Roseiral. Como é Rosinha?

- Olha Pi, deste lado do Roseiral, existe uma urbanização de casas térreas. São todas iguais, mas há uma que se destaca pelo belíssimo jardim que tem. É fantástico. Cheio de flores de mil odores que inebriam qualquer um.

- Estás a deixar-me curiosa… Conheces alguém desse jardim?

- Conheço pois. O C.R. Um cravo vermelho fantástico, um sonhador por natureza. Um tipo às direitas, um cavalheiro sem igual! Eu conheci-o por mero acaso. Imagina Tu que ele adora escrever. E escreve extraordinariamente!

- A sério? Que curioso… Sabes que eu também gosto de escrever…

- Por isso mesmo! Lembras-te daquele Concurso de Poesia que a Associação organizou?

- Claro que lembro! Não participei por vergonha… Mas o poema vencedor é inesquecível: “Rosas vermelhas”

- Precisamente… Sabes quem o escreveu? O C.R.!

- A sério?! Estou estupefacta… gostava de o conhecer! Quem escreve daquela forma tem que ser um Tributo à sensibilidade e ternura. Tu e ele…?

- Achas?! Claro que não. O C.R. é um sonhador! Alguém por quem nutro uma admiração e carinho imensos, mas apenas isso Pi.

A conversa estava por demais animada e as duas nem repararam no adiantado da hora. Foi o pôr-do-sol que lhes chamou a atenção e olharam uma para a outra e disseram em simultâneo:

- Já é tão tarde!

Pi voltou para a sua planície engalanada pelo dourado fogo que se punha no horizonte mas não conseguia tirar o “rosas vermelhas” da cabeça. Era de facto um poema lindíssimo que quase sabia de cor.

Quando à noite se deitou sonhou ser a Musa que inspirara C.R. naquele fantástico poema. E sonhou! Sonhou ser Princesa, Rainha, Musa e Deusa…

Como viajava esta jovem Papoila!

Quando acordou balançava no arco-íris e quando deu conta disse para si mesma:

- Que sonho fantástico! Pudesse eu…

Foi interrompida no seu pensamento pelo barulho que se ouvia ao longe.

Levantou-se, sorriu ao sol e cumprimentou-o e percebeu que algo de muito grave se passava no Roseiral pelo aglomerado de gente que ali se encontrava… Correu até lá e deparou-se com uma imagem desoladora. O Roseiral havia sido dizimado pela praga. No seu lugar havia apenas as recordações de momentos ali passados dos segredos partilhados. Centenas de rosas estavam caídas, murchas… sem vida! E as que sobreviveram tinham sido transplantadas para uma estufa qualquer para tratamento.

Pi procurou Rosinha. Tentou irromper pela multidão mas foi em vão… A zona estava a ser evacuada e isolada para desinfestação.

- Rosinha! Onde estás, amiga?

Uma tristeza imensa invadiu Pi. A ideia de que podia ter perdido a sua amiga aterrorizou-a. Procurou-a por entre as rosas tombadas mas centenas delas já haviam sido levadas para serem queimadas…

Sentou-se e chorou. Chorou tempos a fio sem dar conta que todos se tinham ido embora. Passaram horas e horas… Uma eternidade sem que a jovem Papoila conseguisse parar de chorar.

- Boa tarde. Posso ajudá-la?

- Tenho estado a observá-la e já não aguento vê-la chorar desta maneira. Que posso fazer para que pare de chorar?

Pi enxugou as lágrimas e levantou a cabeça. Apesar da tristeza que lhe vestia a alma era impossível não reparar que diante de si estava um cravo vermelho muito belo e vistoso. E que charme… Será que é..? Seu pensamento foi interrompido, como que se tivesse sido lido.

- Permita que me apresente. O meu nome é Cravo Rubro, mas todos me conhecem por C.R..

Pi sentiu-se a corar… E disse sem conseguir disfarçar:

- C.R…? O C.R. poeta??? Amigo da Rosinha?

- Sim… Eu gosto de escrever, muito! Mas daí a ser poeta… Mas sou de facto amigo da Rosinha. Conhece-la?

- Conheço. E estou desesperada. Cheguei aqui de manhã e vi o Roseiral assim, ou melhor, o que restava dele e não sei da Rosinha… e …

Pi não se conteve. Começou a chorar compulsivamente. C.R. ainda tentou acalmá-la mas foi em vão e fruto da emoção e da fraqueza, desfaleceu. C.R. foi rápido o suficiente e tomou-a nos braços.

Pegou nela ao colo levou-a para um banco de jardim próximo. Também C.R. não ficou indiferente a tanta beleza…Impossível!

Pi era de facto muito bela, elegante e brilhante. O seu porte altivo contrastava com a sua fragilidade tão feminina quanto terna…

- Que Papoila mais linda!!! Pensou C.R., sem se dar conta do que estava a nascer…

Enquanto isso, na planície, a mãe Natureza olhava o sol e estranhava a demora de Pi.

A sua sensibilidade de Mãe dizia-lhe que algo não estava bem e disse para o seu marido, o Campo:

- Estou preocupada. Já é tão tarde e a Pi ainda não voltou.

- Para onde foi ela?

- Saiu de manhã esbaforida e correu em direcção ao Roseiral.

- Fica tranquila. Eu vou dar uma volta para ver se a vejo.

E assim fez. Dirigia-se para o Roseiral, quando encontrou as Giestas muito animado.

- Como está, Sr. Campo?

- Estou bem e vocês, raparigas?

- Vamos passear. Já está menos calor e assim já sabe bem uma voltinha ao entardecer. Vamos ver o pôr-do-sol ao Roseiral.

- Ides para o lado do Roseiral?

- Sim, vamos. Precisa de algum a coisa?

- É a Pi. Saiu de manhã a correr por causa do que aconteceu e ainda não voltou. Estamos a ficar preocupados.

- Fique descansado. Nós vamos à procura dela e mandamos notícias pela brisa que se anuncia.

- Muito obrigado.

As Giestas, a Serena, a Paz e a Tété eram três irmãs a quem a vida já tinha pregado muitas partidas. O casal Giesta tinha perecido num vendaval e todos na Planície acolheram com muito carinho e mimo as três jovens que pela sua beleza, formosura e educação irrepreensível, muita alegria davam à planície. A mãe Natureza desdobrava-se em mil cuidados para que nada faltasse às pequenas e estas carinhosamente chamavam-lhe de Mamy.

No Roseiral, Pi acordou e viu-se nos braços de C.R. O olhar que cruzaram multiplicou-se em emoções mil e o silêncio reinou por momentos eternizados sob o fogo que se punha mesmo ali ao lado…

- Que aconteceu?

- Só lhe respondo se me disser o seu nome.

- Desculpe-me… Que cabeça a minha. Eu sou a Pi.

- A Pi desmaiou… Estávamos a falar da Rosinha e eu só tive tempo de a agarrar

Os seus rostos estavam demasiado próximos e Pi deliciou-se com o toque cuidado mas viril de C.R., assim como com o perfume que de si exalava. Por seu lado C.R. não conseguia afastar-se daquele momento de contemplação: o cetim das pétalas, a elegância do porte e havia mais qualquer coisa que o prendia, só percebeu quando Pi abriu um sorriso resplandecente e lhe disse:

- Obrigada por me ter ajudado, se o C.R. não estivesse aqui, tinha-me estatelado no chão.

C.R. não respondeu, ficou atónito com a profundidade, magnitude e expressividade daquele sorriso. E foi Pi que o interrompeu naquele deslumbre da alma.

- C.R., está tudo bem? Disse algo que não devia? É que eu tenho de ir…De certeza que já estão todos preocupados na Planície.

- C.R. ?

- D… Desculpe, estava mergulhado numa visão fantástica. Quer que a acompanhe?

- Não é preciso C.R.. .

Pi deu-lhe um beijo na face e saiu num passo apressado em direcção à Planície.

C.R. ficou a olhá-la e pensou para consigo: “que sorriso!!!!”

Pi cruzou-se no caminho com as Giestas e Serena perguntou-lhe:

- Estás bem, Pi? Pareces um pouco murchinha. Os teus pais estão preocupados contigo.

- Senti-me mal ali no Roseiral, mas já passou. Eu vou já para casa. Obrigada Serena!

E seguiram o seu caminho em direcções opostas, as Giestas de encontro ao fogo no Horizonte, Pi com o fogo na alma e no coração.

Depois de chegar a casa, de falar com os pais e alimentar-se, deitou-se.

Estava exausta. O dia tinha sido de muitas e fortes emoções. Rosinha continuava na sua cabeça assim como C.R.. Uma lágrima caiu e um sorriso soltou-se.

Adormeceu rendida ao cansaço e à tristeza do dia, mas aconchegada pela imagem daquele cravo que não lhe saia da cabeça.

As estrelas juntaram-se e resolveram fazer uma surpresa a Pi. Desceu a Estrela Polar, até ao seu leito, tocou-lhe ao de leve no rosto e segredou-lhe ao ouvido:

- Anda Pi! Abriram-se as portas do Sonho para Ti.

Pi quis responder mas não conseguiu. Limitou-se a obedecer à sua amiga Estrela e viajou pelo mundo do Sonho, nas asas da Fantasia.

Viajou por todo o lado que lhe é impossível e foi quem nunca poderá ser.

Foi onda e foi mar, foi Sol, foi vale, montanha e luar.

Viajou pelo interior das almas, escutou o pulsar dos corações,

Conheceu de perto os Segredos, vestidos de mil emoções

Depois deixou-se embalar pela brisa que a levava de nuvem em nuvem, de estrela em estrela e acabou por adormecer no seu Sonho, encostada à Lua, que docemente a acolheu.

C.R. era muito dedicado ao próximo desdobrava-se em mil para acudir a todos e às vezes exagerava. Naquele dia, ter ajudado Pi foi algo muito próprio da sua personalidade. Mas quando chegou a casa não conseguiu dizer a Luz o que tinha acontecido.

Luz era a esposa de C.R. Era uma cravina muito bela e de postura irrepreensível. Estavam casados há muito tempo e a união de ambos era plena e feliz. Luz era muito dedicada a C.R. e a Jasmine, a filha de ambos.

Naquele dia estranhou a ausência prolongada de C.R. mas quando o viu chegar absorto nos seus pensamentos optou por não fazer perguntas.

C.R. não conseguia dormir porque aquela Papoila fantástica não lhe saía da cabeça. Falava consigo próprio e ouvia-se a dizer:

- Mas o que se está a passar comigo??? Eu não posso… De forma alguma apaixonar-me por aquela miúda. Sim porque ela é uma miúda! Não posso…! Tenho família constituída, sou feliz… Isto não faz sentido algum… Mas porque razão não me sai a Pi da cabeça?

Aquele Amor anunciado e lactente, naquele olhar que o fez desabrochar, invadiu em sintonia perfeita Pi e C.R..

Os tempos que se seguiram foram de uma intensidade tão imensurável quanto proibida.

Pi sabia, desde o início, da condição de C.R. e também sabia que na Planície onde era acarinhada por todos, ninguém aprovaria esta relação… Um cravo e uma papoila?? Jamais!!!

Ainda por cima casado… Nunca em sociedade alguma aceitariam isso e a Planície não era excepção! Pi sabia disto muito bem... Era bem formada e tinha valores muito fortes de que jamais abdicaria, porém não tinha como travar aquele “Tudo” que invadia os seus dias e que inundava de bebedeiras de ternura, carinho e paixão a sua existência. Amava C.R.. como jamais amara alguém. Entregara-se de corpo, alma e coração àquele amor dando tudo de si, sem nunca esperar o que quer que fosse e C.R. sabia e sentia isso muito bem.

Os encontros de Pi e C.R. eram na Serra da Roseira Brava que se situava a montante do Roseiral. Desdobravam-se em mil mentiras e desculpas para estarem juntos, por um momento que fosse:
“(…) Quem me dera, que por um momento que fosse, os meus beijos chegassem como brisas e te tocassem ao de leve levando com elas todos este sentimento cuja cor ainda está por inventar e descobrir. Todo este desejo que me consome, que me sufoca por Te querer tanto!!!
É um sentimento que me invade, que me possui, que toma conta de mim, que me cerca e enleia que me preenche e alenta desalentando…porque não estás…
E como eu queria que estivesses.
Aqui.
Agora.
Para me aninhar no teu colo, sentir teu afago, entregar-me ao teu abraço e envolver-te em minha ternura, inundar-te do meu amor que é só teu… por um momento que fosse!!!”

C.R. surpreendia-se a cada dia com Pi, com a sua personalidade terna e lutadora, com a sua forma de estar e de ser e de quão bela se tornava a cada dia. E muito mais que surpreender-se com Pi, C.R. surpreendia-se consigo próprio. Nunca na sua existência, tal lhe tinha acontecido e nem na sua forma de estar e de ser, nos seus valores e naquilo que veemente acreditava e defendia admitiria a situação que ele próprio estava a viver… Tinha sido “traído” pelo seu coração e não tinha, nem queria, fugir daquele Sentimento. Sabia que Pi não era uma aventura, um caso, uma qualquer para passar o tempo e dar umas voltas. Não!!!

Pi estava muito acima de tudo o que ele próprio conseguia aceitar e conceber.

Mergulhava os seus pensamentos na sua formosura e ternura, no seu sorriso único e fantástico, na beleza da sua simplicidade…

Escrevia-lhe o que o coração sente e a mão consente numa harmonia de amor e entrega sob a forma de Palavras vestidas de Sentidos e Sentimentos que aconchegavam Pi nas noites e em todos os momentos que estavam apartados um do outro. E amava Pi! Amava-a ternamente e com desejo, amava-a doce e loucamente! Como amava aquela Papoila!!!

Mas também no seu mundo, não havia “lugar” para Pi. Esse lugar há muito havia sido preenchido por Luz, sua companheira e esposa. C.R. jamais poderia permitir que algo lhe faltasse, assim como a Jasmine, sua pérola e seu maior Tesouro.

O que fazer???

Pi acreditava neste Amor. Sentia-se realizada na plenitude do seu Ser aquando dos seus encontros furtivos, mas também sabia o seu lugar.

Durante muito tempo soube lidar com a situação. Correndo o risco de ser e de se sentir leviana, Pi entregava-se e retribuía todo aquele Amor, total, embevecido, desenfreado e apaixonado. O seu coração pertencia a C.R. e nunca nada nem ninguém, mudaria isso.

Contudo, com o evoluir da relação Pi queria mais…

Por vezes sentia-se Rainha da Flora, mágica, sedutora, única mas de quando em vez e racionalmente, sabia que C.R., jamais deixaria Luz e Jasmine desamparadas e sozinhas. Doía-lhe até à alma quando pensava nisto.

Tinham falado várias vezes sobre a eventual possibilidade de o Futuro trazer a união dos dois e C.R. sempre lhe respondia:

- Não sei o dia de amanhã, Querida.

E o tempo foi passando. Foi nascendo em Pi uma tristeza que esta tentava disfarçar, mas C.R. conhecia tão bem a imensidão do seu sorriso, como a falta de brilho naquele olhar quando algo a incomodava…

Naquela tarde, o sol tinha-se ocultado por entre o cinzento das nuvens que tapavam o azul-plenitude do céu. C.R. estava visivelmente apreensivo e disse a Pi:

- Temos que conversar, Amor. Há algo que te quero dizer, mas preciso que me escutes até ao fim.

- Sim.

- A Luz não está bem. Soubemos ontem que está gravemente doente e é provável que a situação seja irreversível… Preciso de estar junto dela o máximo de tempo possível, porque não sei quanto é esse tempo e a Jasmine ainda não sabe de nada.

Os olhos de Pi marearam-se de lágrimas. Sempre soube que por este motivo ou outro qualquer, um dia eles se afastariam. Quis falar mas sentiu o emudecimento das palavras e a alma a esvaziar-se.

- Diz que me compreendes. É muito importante para mim que me compreendas. Amo-Te tanto Pi! Duma forma inexplicável, que me transcende e ultrapassa, mas a Luz precisa mesmo de mim… Não sou capaz de lhe virar as costas.

Com a voz embargada, Pi conseguiu dizer:

- Compreendo sim Amor. Mereces que tudo corra bem convosco.

E abraçaram-se num abraço intemporal. Nesta altura choravam os dois copiosamente, até que Pi lhe deu um beijo na face e foi-se embora. Vieram ao de cima os valores que sempre regeram a sua vida e sabia que aquela era a única coisa a fazer.

- Pi! Pi… Não vás!

Em vão. C.R. ficou destroçado a vê-la partir. Sabia que a última coisa que queria era magoar Pi, mas o seu silêncio gritava bem alto o quanto a tinha magoado. Nunca se perdoaria.

Nunca mais nada foi igual. C.R. mergulhou numa tristeza imensa e à noite gostava de escrever ao luar. Sabia da amizade que unia a lua e Pi e por isso o fazia.

Numa dessas noites, C.R. foi surpreendido por um clarão imenso e com os olhos pregados no céu, viu as estrelas a escreverem:

“Um Amor quando é sentido, com a magnitude, intensidade, dimensão e pureza do nosso nunca acaba! Mesmo que não seja vivido, mesmo que seja proibido…
Para onde quer que olhes,
Para onde quer que vás,
Eu estou a amar-Te C.R.!
E estou à tua espera, no Lugar onde  
Existe uma quietude,
Uma paz;
Um silencio apaixonado que toca melodias de sonho e de encantar,
Que me envolve,
Que me domina, cerca e enleia;
Um silêncio chamado Amor,
Que eu grito em sorrisos-mil de contemplação
Por Te sentir aqui, no meu corpo, alma e coração!
Amo-Te!

Tua, Pi”

Escrito por Fly em 18:13:47 | Link permanente | Comments (1) |

Sábado, 09 de Fevereiro de 2008

PORQUE TU VIESTE

Olá Amigos e Companheiros de Viagem:

Ontem o Comboio estava em parte incerta de tão avariado...
"Depois da Tempestade vem a Bonança."
O Ditado é popular e cheio de sabedoria.
Ontem estava mesmo com um tristeza descomunal...
O sono é uma das melhores terapias e este sol aquece mesmo os corações mais incautos e vazios.
Portanto hoje aqui a "Je" está melhor e pronta pra outra (digo eu..bolas!)

"Porque Tu vieste" é o primeiro conto que conscientemente escrevi com o propósito de ser conto.
Para vós, com amizade

Mil sorrisos e abracinhos ternurentos

Fly


(...)


A tarde ia já adiantada mas continuava aprazível, o sol acolhedor e a convidar para um belo passeio a pé.
E lá fui eu caminho fora.
Ouvi uma buzina, olhei, vi o carro e apenas parte da matrícula…
Foi o suficiente para o meu coração disparar.
Racionalmente disse-lhe:
            - “Sossega se faz favor porque sabes muito bem que é impossível que Ele esteja aqui”.
Aliás, nem no meu imaginário mais recôndito, concebia a ideia do que aconteceu a seguir.
E eu não podia estar mais enganada. Às vezes não damos ouvidos ao coração pelas tropelias da Vida, e da razão e do “tem que ser”, mas a verdade é que o meu “malogrado herói” tinha razão pelo descompasso louco e voraz em que ficou.
Eras mesmo Tu!!!
(Não páras de me surpreender sabias?)
Estacionaste o carro, olhaste sereno para mim e sorriste.
            - “Olá Amor!”
Senti-me uma menina incrédula perdida de emoção e Mulher-sorriso que se perdeu uma vez mais no teu olhar.
Não consegui dizer uma única palavra. Fiquei como o tempo: paralisada e emudecida mas raiada de felicidade envolvida numa espiral de magia, carinho e contemplação.
            - “Vim buscar-Te Querida. Vamos ver o Mar.”
            - “O quê??!! Mas como…?”
            - “Vamos passar a Noite da Consoada à beira-mar. Não foi o que desejaste para este Natal? Aqui estou. Anda daí!”
Acho que me anestesiaram as tuas Palavras e pela primeira vez o Natal fez sentido para mim… E tudo estava a acontecer. Mesmo!
Não sei ao certo para onde fomos.
A viagem foi intemporal.
Eu fui tomada por uma chuva de sonhos-ternura;
Bolinhas-de-magia-doçura
E sorrisos-alecrim.
Dei as mão à alegria
Rendi-me à envolvência da tua Companhia
Em momentos de aroma-jasmim.
A noite apesar de fria, estava acolhedora e engalanada por milhares de estrelas que serpenteavam o céu em bebedeiras de um azul majestoso e em sorrisos mil de fascínio;
O areal era imenso e fofo
E o Mar… Bom o Mar acolheu-nos de braços abertos num horizonte luzidio e enamorado pela lua que alvitrava melodias de encantar.
A brandura e suavidade das águas, tornaram real o ficar, de facto, à beira-mar.
Mas as surpresas estavam longe de acabar…
Preparaste tudo ao ínfimo pormenor. E a cada passo senti o Amor e o carinho em tudo…
Recolhemo-nos numa espécie de cabana coberta com seda, organdi e cetim de cores mil que cintilaram a noite de sedução e paixão.
Uma fogueira crepitava e anunciou-nos que o acolhimento seria pleno.
Senti ainda um perfume inconfundível, suave e fresco a rosas que tornou ainda mais especial aquele local. Rapidamente percebi porquê… Havia uma cama feita de milhares de pétalas de rosas vermelhas e brancas…
Um verdadeiro ninho de amor.
O Nosso Ninho de Amor!
Olhaste para mim, abraçaste-me e sussurraste-me ao ouvido:
            - “ Amo-Te Miúda. Quero-Te tanto!”
Não me contive e uma lágrima soltou-se diante de tamanho Sentir!
Não concebia nem em sonhos viver algo assim, num espaço concebido para mim e sentir-me Princesa. Princesa não! Senti-me Rainha, a tua Rainha!
Pegaste na minha mão.
(Que quente, meu Amor!)
Iniciaste uma viagem pelo meu corpo que cedeu, rendeu e se deu doce e num Dar total e completo.
Um beijo.
Mel, menta, canela…
Outro beijo…
E outro ainda…
“Lões” deles!
Carícias mil, abraço gentil
Meu corpo em teu corpo viril…
Cumplicidade.
Ternura e entrega,
Corpos fundidos, suados
Molhados de loucura, extasiados
De um deleite sem fim.
Gemidos de Querer
… De puro prazer
Numa volúpia rendida
A Ti e a mim…
E amámo-nos
Amámo-nos…
Amámo-nos,
Vezes sem fim.
Diante deste Mar
Que cúmplice nos acolheu
Bebemos o luar que a Lua deixou
Comemos o Êxtase que a Noite sonhou
Semi embriagados pelos cocktails de estrelas numa ceia de maresia que fresca chegou.
Estava um silêncio absolutamente divinal, apenas quebrado pelo devir constante das ondas que em vaga nos sorriram a noite toda.
E assim ficámos.
Aninhados um no outro.
Uma gaivota anunciou-nos a chegada da aurora engalanada de um azul absoluto e único e tons de suave lilás e o dia nasceu.
E foi com o pulsar do teu coração no meu ouvido, ao teu colo que disseste:
            - “ Feliz Natal Querida”.
Olhei para Ti e disse-Te com a voz embargada por um misto de alegria, emoção e Amor:
            - “ É um Feliz Natal sim! O melhor de toda a minha Vida.
            Verdadeiro.
            Genuíno.
            Autêntico.
            E tudo Meu Amor, porque Tu… vieste!
            Amo-Te!
            Amo-te com a candura de um sorriso de criança
            Amo-te com a genuinidade do cheiro da terra molhada
            Amo-Te com tudo o que sou.
            Em plenitude. Um amor total e completo
            Feliz Natal também para Ti!”

Escrito por Fly em 15:17:01 | Link permanente | Comments (1) |

Sexta-feira, 08 de Fevereiro de 2008

AMORDAÇADA

A nostalgia tomou conta de mim...
Sinto-me melancolica, perdida de mim.
A vida continua a fintar-me, a pôr-me à prova e às vezes confesso que não estou à altura.
Hoje é um desses dias.
Apetece-me pura e simplesmente desisitir.
Pôr um letreiro em mim a dizer: "Fechado" .
Oscilo entre a vontade de gritar e de me esconder de todos.
A minha paz interior, anda arredia e eu não gosto deste clima de "guerra" de descontentamento...
Sinto-me inútil, impotente, deslocada, estranha e intrusa...
Como se não pertencesse aqui ou a lugar algum.
Um abraço apertado com as forças que não tenho

(...)




Amordaçada.
Presa em mim
Perdida da minha vontade
Cativa do sofrimento
Que vil vence o momento…
Amordaçada.
Num Querer que se agiganta
Deste tamanho Sentir
Mantém-se viva a esperança
De acreditar no Porvir
No sorrir de uma Criança.
Amordaçada!
Presa no desencanto do vazio
Que a passos preenche a alma
E desnuda o coração
Amordaçada
Pela Vida que me nega
De viva voz o Sorriso
Que Te dou
Mas Estou e Sou!
Ainda que desencantada
Desnudada
Aprisionada
Amordaçada!
Escrito por Fly em 14:06:08 | Link permanente | Comments (1) |