Sunday, May 31, 2009

DEIXA-ME OLHAR-TE

Deixa-me olhar-Te

E sentir o fluir melífluo que brota dos teus olhos

Entrego-me no silêncio da cumplicidade que nos une

E sinto o teu beijo que me chega

Pela suavidade da brisa ao entardecer

Pelo luar enaltecido

Pelo amanhecer que torna na explosão do silêncio

Pelo abraço (não) dado, mas sentido

Deixa-me olhar-Te

E sentir uma vez mais

A serenidade que emana da tua Alma

E do remanescente de todo o teu Ser

Deixa-me olhar-Te em sonhos de Jasmim,

- Plantados no tal enlevado Jardim –

De Mar e de Encanto

E dizer-Te em pétalas de Poesia

Em ramos de alfazema e alegria

O quanto significas para mim

Estou aqui

Perdida no teu olhar

Rendida à fantasia desta História

Que escreve a cada dia na sua memória

A reinvenção do verbo Amar

Sei que sabes…

Sei que o sentes…

Mas deixa-me olhar-Te

E afagar docemente o teu rosto

Sentir de novo o teu gosto

E segredar-Te num sorriso

“Amo-Te!”


Fly

(Lisboa e Montijo, 30 e 31 de maio de 2009)

imagem:  http://4.bp.blogspot.com

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Tuesday, May 19, 2009

RETORNO AO VAZIO

Não há forma de tornar este dia igual a tantos outros…

Seis anos depois, a única coisa que mudou pela tua ausência foi a saudade.

Porque cresceu.

Desmesuradamente… Aliás, a única coisa que o Tempo não resolve é a saudade de quem parte.

Sinto a tua falta Pai.

Hoje busquei todos os motivos para sorrir e não me ocorreu nenhum. Tudo me parece cinzento, nostálgico e infinitamente triste.

Retorno ao vazio.

Plácido, frio, desolador e que me faz tombar como as lágrimas contra as quais já não luto.

As palavras hoje estão como as emoções. Contidas e emudecidas neste “faz-de-conta” contínuo que hoje não me deixa Ser.

Recolho-me a mim. Rendida e perdida na esperança-quase-vã de que Amanhã o Sol brilhará outra vez.


(Montijo, 19 de Maio de 2009)

imagem: http://www.kelribeiro.com
 

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Sunday, May 17, 2009

ACONCHEGO DA ALMA

Serenou o dia.

Grandioso e inolvidável Dia.

O silêncio que aos poucos se impõe, devolve-me graciosamente, cada momento vivido, cada instante partilhado. Foram tamanhas as emoções!

A expectativa e o receio de que algo poderia correr mal agravou-se quando a chuva resolveu irromper do céu de uma forma tão brutal quanto intensa. E como se não bastasse a chuva, também a trovoada resolveu assinar a folha do dia e brindar a tarde.

Raios e coriscos! Que desespero tão grande me assolou… No entanto passado algum tempo disse para mim mesma:

“Não! Isto pior do que está, não fica. Não posso entregar-me a este estado d’alma porque efectivamente tudo o que afunda, emerge e o meu dia bateu no fundo…” Assimilei o meu próprio pensamento e o meu Sentir doravante mudou. Deixei aquele medo esquecido em parte incerta e entreguei-me de alma e coração a cada Momento. Memoráveis e inesquecíveis Momentos.

A moldura humana que se foi compondo, pintou a mais bela e transbordante tela de amizade e calor humano que presenciei até hoje.

Rostos sorridentes, abraços sentidos, olhares cúmplices, afectos, sensibilidade, alegria e tanta emoção!

Ter ao meu lado e diante de mim, praticamente todo o Universo das pessoas que me são especiais, fez deste dia o melhor e mais gratificante dia da minha Vida enquanto pessoa e ser humano.

Todas as intervenções foram muito intensas, genuínas e sentidas. Quando chegou a minha vez de falar, as palavras fugiram todas para o Lugar-sem-Palavras onde o céu se pinta de alegria e a terra se veste de uma imensa e cândida paz…a plenitude toldou-me por completo e apenas consegui falar de sonhos com sorrisos no olhar…

Partilharam-se pedaços da minha história, pedaços de memória e Pedaços D’Alma que foram muitíssimo bem declamados pelo António Martins e pela Estrela da Tarde, a minha princesa Núria. E tivemos ainda a visita de Florbela Espanca nas belíssimas vozes da Rita e do Paulo que cantaram o “Ser Poeta”

O Tempo deu uma trégua ao tempo e a tarde foi passando. Cada instante foi perpetuado na eternidade da minha memória entre o convívio e o ambiente fantástico que há muito tinham chegado…

Veio a noite e com ela o regresso aparente à calma. Digo aparente porque o rebuliço interior ficou cativo na memória e no pensamento…

Volvidos alguns dias, é imenso o aconchego da alma que sinto. Quer pelas memórias daquele sábado cinzento que se rendeu ao arco-íris de vida e alegria que se viveu naquela sala, quer pelas pessoas que continuam a dar-me alento e força para que continue esta caminhada chamada escrita.

A todas as pessoas que tornaram possível este Sonho, que tiveram presentes quer física, quer espiritualmente, e que me dão força e alento, deixo o meu Sorriso e o meu abraço.

Muito obrigada!

 

http://picasaweb.google.pt/magicmind.pt/PedacosDeAlma?feat=directlink

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Sunday, May 10, 2009

DA HUMANAL IMPERFEIÇÃO

Serei sempre humanamente imperfeita.
Sempre errarei e falharei por mais que nunca queira errar porque a matéria inevitável de que sou feita, a humanal imperfeição, veste-me a nudez do ser.
Vou portanto partilhar o assumir da mea culpa diante de um erro e do quanto me sinto imperfeita, errante e… humana!
Não me agarro a esta condição para deliberadamente errar ou falhar! Nunca!
Nunca tive problemas em reconhecer os meus erros e a humildade é um traço intrínseco à minha personalidade e tento sempre aprender com os meus erros para que não haja uma segunda vez…
Por isso, esta é a melhor forma que tenho, neste momento, para reconhecer publicamente um erro e pedir desculpas a quem de direito.
Ontem vivi um momento muito especial para mim. Lançar o meu Livro, “Pedaços D’Alma”, terá sido “O” momento de glória da minha vida; Foi também a concretização de um Sonho que teve o seu expoente máximo por ter sido partilhado com todos os que a mim se juntaram … Foi verdadeiramente inesquecível, único, estrondoso…e imperfeito…
Creiam que não me enganei a escrever. Foi de facto humanamente imperfeito…
No meio de uma tarde inesquecível, da gestão difícil de tantas emoções, do Mar imenso de alegria que senti, cometi um erro.
Ainda que não tenha havido qualquer premeditação ou desconsideração pela Pessoa em causa, e apesar de no início da minha intervenção me ter lembrado, com a tamanha emoção que tomou conta de mim, não fiz a merecida e devida referência nem qualquer agradecimento pessoal ao Senhor meu tio, José Augusto Carvalho que gentil e excepcionalmente prefaciou o meu Livro.
Pudesse eu accionar os mecanismos do Tempo e voltar atrás, mas não tenho esses poderes. Resta-me pedir-te desculpa Tio!
És merecedor de todos os elogios que se te possam ser dirigidos, não só pelo grande Poeta que és, mas acima de tudo pelo Homem e pelo ser humano fantástico que és.
Não estive à altura do esforço que fizeste para estares presente mas ontem, crê, aprendi mais uma lição.
Agradeço-te por esta via o carinho com que sempre me trataste e a sapiência e maturidade com que redigiste o meu prefácio mas oportunamente fá-lo-ei pessoalmente.
Espero que compreendas e que quando te for possível me desculpes.
Um abraço cheio da minha imperfeição, mas sentido bem do fundo do meu coração.

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