MIRAGEM
Imenso, árido, vazio… Interminável e resignado.
E resignada vivo. Há muito que aceitei as condições.
Do vazio oco de emoções, da solidão gélida dos sentidos e da secura extrema desta tristeza acutilante, onde há muito não chove Amor…
Não há oásis no meu Deserto.
Só me é permitido Sonhar apenas e quando algo ou alguém muito especial me eleva a esse patamar…
Subo às nuvens pela alfazema que Alguém deixou no meu jardim e de um pé para o outro, saltito por entre elas; brinco às escondidas com as estrelas e ofuscada pelo seu brilho, inebrio-me de alegria.
Mais à noitinha a Lua convida-me para um chá quentinho (faz frio lá em cima…) e acalento-me na sua generosidade até adormecer num dos anéis de Saturno…
De manhã acorda-me o Sol que me convida para um banho especialmente enriquecido com uma espuma de Vénus nas inigualáveis Cataratas Celestiais.
Já a meio da manhã, desço pelo Arco-íris (como se de um escorrega gigante se tratasse) e por momentos todo o meu corpo e de alma rendida, funde-se naquela magia multicolor que me deixa em estado de contemplação.
Depois… “Fly time” !!! É hora de voar sim. De rasgar os céus, de invadir as aero-vias da imaginação, de desafiar o próprio Sonho. E faço-o nas asas de uma velha amiga Gaivota com quem há muito selei um Pacto de Regozijo.
E é em pleno voo, que me cruzo Contigo. É uma visão eterna mas fugaz, de milésimos intemporais de segundo…
Chego a tocar-te, a olhar-te e até a sentir-te.
E tu beijas-me… E é o sonho sobre o Sonho. Ou não??? Ai este Sonho!!! Afinal tu és uma Miragem!!!
Fly




























