Quinta-feira, 27 de Abril de 2006

COMBOIO DA VIDA


O Comboio da Vida é imenso.
Viaja por toda a nossa Existência e as suas carruagens albergam todos aqueles que num momento ou noutro cruzam a nossa vida e integram esta Viagem. E independentemente da sua permanência no Comboio, todos têm sempre o seu lugar.
O Maquinista vive no Abrigo que é o lugar onde se controla toda a Viagem, onde se afere o ritmo e a velocidade da mesma e onde se define quais as Estações e Apeadeiros onde o Comboio tem paragem. 
Incansável este Maquinista!
O início da Viagem é o Apeadeiro do Amor, sempre apinhado de gente e de muitos outros  Comboios com tantas outras viagens… E é neste devir constante, neste frenesim, num momento único e especial que tudo começa e Nós somos concebidos.
E a este Apeadeiro regressamos quando também nós concebemos e damos Vida.
Seguindo a Viagem, o Comboio pára nas  Estações da Alegria, da Inocência, e da Brincadeira onde passamos grande parte da nossa infância.
As carruagens têm nesta altura passageiros muitos especiais: a mamã, o papá e eventualmente os manos e manas e ainda o ursinho de peluche sem o qual não dormimos ou o aquela bonequinha especial com quem adoramos passear.
A paragem nas Estação das Emoções está logo ali ao lado. É uma Estação bonita e com muitas flores.
Sabem porquê? Reza a Lenda que nesta Estação existe um Jardim Encantado onde as pessoas se transformam em Flores de mil cores e onde nasce a Amizade e o arco-íris adormece quando não está de serviço. E a verdade, é que é aqui nesta Estação imensa e florida que entra a Primeira Amizade sob a forma de Alguém que nos é muito especial, ou onde coramos intensamente quando de uma forma perfeitamente desenfreada sentimos que a Paixão nos tocou.
Nesta altura o comboio segue a uma velocidade constante. Passa por prados verdejantes, bosques, montanhas e planícies contemplando tudo o que é belo. Ao longe avista-se o Mar que se confunde com o céu num imagem que fica retida eternamente na alma do Maquinista.
O Apeadeiro da Paixão aproxima-se. De rubro se veste e se perfuma com aromas de mel menta e canela… Quando damos por Nós… já crescemos e as carruagens vão tendo cada vez mais Passageiros. Sempre Especiais.
A Família, sempre ao dispor.
Os Amigos que simplesmente estão.
Incondicionais e disponíveis como o ar que respiramos.
Únicos, genuínos e autênticos como o cheiro da terra molhada.
O Primeiro Amor, assolapado e avassalador.
As Pessoas que se cruzaram connosco e nos marcaram, como aqueles Professores especiais que nos ajudaram a definir qual o rumo a seguir, ou o Velho Pescador com quem conversámos vezes sem conta até o sol se pôr e que nos deu Conselhos que até hoje guardamos como relíquias…
Como está composto o Comboio!!!
Nesta altura já a velocidade é irregular. E de que maneira… Tudo parece precipitar-se e tudo é vivido em cima do “joelho” de tal maneira que às vezes há mesmo avarias…e lá tem o comboio que permanecer em Estações como da Amargura, da Dor, do Sofrimento…tudo parece desabar não é?
…Uma amachucadela aqui, outra acolá… mas com o carinho e entrega do Maquinista e com o seu sorriso.mágico lá segue o Comboio a sua viagem.
Apeadeiro da Responsabilidade. É a próxima paragem. E ouve-se ao longe:
“- Srs. Passageiros, vai dar entrada na Linha número cinco, O Comboio Da Vida com destino à tomada de decisões importantes”.
E não nos escapamos. Chega mesmo a altura da responsabilidade, de tomar decisões de rumar em frente, com ou sem mágoa.
Fim do Curso e/ou  início da Vida profissional.
Unificação de uma relação, com ou sem papel passado.
O primeiro filho.
Momentos que nos marcam. Que vivemos intensamente e alguns definitivamente para toda a vida
Chegam pessoas de todo o lado para celebrar connosco estes passos.
É uma confusão pegada mas a alegria e a realização “tomam conta do pedaço”!!!
O comboio está repleto… Todos os que lá estavam, mantêm-se, ou não... Mas esta Viagem que é a Vida é isso mesmo: entram uns e saem outros.
Todos deixam a sua marca. Uns mais do que outros, é certo mas o lugar na memória está adquirido.
É por esta altura, mais coisa menos coisa, que conhecemos a Estação da Morte e a da Saudade… como é difícil “estar” nestes sítios…Quase impossível de suportar acreditem!
(…)
 “The Show must go on”… e muito combalido o Comboio segue então a sua viagem…
O sorriso do Maquinista perde-se por instantes e o Abrigo está fora de controlo…mas há um horário para cumprir…
Conhecemos então que também existem lugares inóspitos e sem verde… onde a tristeza cinzela de dor o espaço envolvente e onde o ar é quase rarefeito e quase nos sentimos a asfixiar por completo… Mas conseguimos seguir!
A Estação da Reflexão, antecede a da Serenidade…
E a Viagem segue… sei que um dia o Comboio da Vida, da minha Vida, voltará a várias Estações e Apeadeiros sem que consiga mudar o rumo.
Agora foi um momento na Estação da Partilha onde gosto muito de vir e estar.
Até breve!

Fly

Escrito por Fly em 12:23:52 | Link permanente | Comments (1) |
Comentário
1 - Pois..o grande problema desta linha, começa na aproximação do "apeadeiro da paixão".. a partir daí,a linha costuma iniciar um percurso sinuoso! Esse percurso pode nãq ser tão sinuoso, se existir um suporte amortecedor, como a alegria, o amor, a paixão e a realização de viver..Que te mantenhas por muito tempo na estação da serenidade... (Comentar)

Escrito por: AROUCA53 em 2006/04/25 - 18:15:54
Escreva um comentário