Serenou o dia.
Grandioso e inolvidável Dia.
O silêncio que aos poucos se impõe, devolve-me graciosamente, cada momento vivido, cada instante partilhado. Foram tamanhas as emoções!
A expectativa e o receio de que algo poderia correr mal agravou-se quando a chuva resolveu irromper do céu de uma forma tão brutal quanto intensa. E como se não bastasse a chuva, também a trovoada resolveu assinar a folha do dia e brindar a tarde.
Raios e coriscos! Que desespero tão grande me assolou… No entanto passado algum tempo disse para mim mesma:
“Não! Isto pior do que está, não fica. Não posso entregar-me a este estado d’alma porque efectivamente tudo o que afunda, emerge e o meu dia bateu no fundo…” Assimilei o meu próprio pensamento e o meu Sentir doravante mudou. Deixei aquele medo esquecido em parte incerta e entreguei-me de alma e coração a cada Momento. Memoráveis e inesquecíveis Momentos.
A moldura humana que se foi compondo, pintou a mais bela e transbordante tela de amizade e calor humano que presenciei até hoje.
Rostos sorridentes, abraços sentidos, olhares cúmplices, afectos, sensibilidade, alegria e tanta emoção!
Ter ao meu lado e diante de mim, praticamente todo o Universo das pessoas que me são especiais, fez deste dia o melhor e mais gratificante dia da minha Vida enquanto pessoa e ser humano.
Todas as intervenções foram muito intensas, genuínas e sentidas. Quando chegou a minha vez de falar, as palavras fugiram todas para o Lugar-sem-Palavras onde o céu se pinta de alegria e a terra se veste de uma imensa e cândida paz…a plenitude toldou-me por completo e apenas consegui falar de sonhos com sorrisos no olhar…
Partilharam-se pedaços da minha história, pedaços de memória e Pedaços D’Alma que foram muitíssimo bem declamados pelo António Martins e pela Estrela da Tarde, a minha princesa Núria. E tivemos ainda a visita de Florbela Espanca nas belíssimas vozes da Rita e do Paulo que cantaram o “Ser Poeta”
O Tempo deu uma trégua ao tempo e a tarde foi passando. Cada instante foi perpetuado na eternidade da minha memória entre o convívio e o ambiente fantástico que há muito tinham chegado…
Veio a noite e com ela o regresso aparente à calma. Digo aparente porque o rebuliço interior ficou cativo na memória e no pensamento…
Volvidos alguns dias, é imenso o aconchego da alma que sinto. Quer pelas memórias daquele sábado cinzento que se rendeu ao arco-íris de vida e alegria que se viveu naquela sala, quer pelas pessoas que continuam a dar-me alento e força para que continue esta caminhada chamada escrita.
A todas as pessoas que tornaram possível este Sonho, que tiveram presentes quer física, quer espiritualmente, e que me dão força e alento, deixo o meu Sorriso e o meu abraço.
Muito obrigada!
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